Por:
Samuel Levy
Jornal
Correio dos Municipios
Quem vive no campo e sabe das
necessidades, das adversidades, das precariedades e dos muitos problemas
causados pela mau conservação do solo, do meio ambiente e da falta de uma
política protetora ao homem do campo, chega a ficar desesperado. Por falar em
política, conversando certa vez com um amigo professor, ele me relatou que
devemos ser mais audaciosos e entendidos no quesito real de ver a política com
outros olhos, veja o relato dele abaixo:
“a política e o campo tem uma
grande diferença, quando por exemplo se quer medir a temperatura de uma vaca, o
veterinário ou o próprio agropecuarista pegam um termômetro apropriado para o
campo e se dirigem até o curral, lá chegando começam com um processo de afetividade
coma vaca, eles alisam a cabeça da vaca, seu pescoço, passam as mãos pelo seu
dorso, passam pelo rabo e ao final levantam cuidadosamente o rabo da vaca e
introduzem o termômetro no anus e depois de alguns minutos, é então medida a
temperatura da mesma.
No caso dos políticos em geral, a
coisa é bem diferente, o termômetro é introduzido diretamente, sem carinhos e
sem afetividade alguma” concluiu o professor.
No caso da Lei da Pesca que foi aprovada pelos deputados estaduais e sancionada
pelo governador Silval Barbosa não é diferente, pegaram sem dó nem piedade um termômetro ( leiam-se Lei 9.794 aprovada pela Assembléia
Legislativa de MT e sancionada pelo governo de Mato Grosso.),
bem grande e introduziram diretamente em quem sobrevive da pesca e em lojas que
vendem os materiais necessários para os pescadores e tanto faz ser eles
amadores como profissionais, na realidade o respeito nesse caso é maior por
parte dos amadores, pois não dependem necessariamente do peixe como alimento
diário, mais tratam sua pesca como um passatempo ou até mesmo como uma terapia
e como falar do setor comercial, que investiram e acreditaram nesse setor e a
mais de 20,30 ou 40 anos vinham sobrevivendo das vendas dos seus produtos.
O senador Blairo Maggi certa vez,
declarou em um canal de TV (e isso repercutiu mau nas rodas de pescadores e
proprietários de lojas de pesca), que essa lei deveria se estender e ao invés 3
anos de proibição da pesca, deveria esse prazo se estender para 5 anos.
Veja um trecho da matéria- Um projeto de lei do Senado,
que propõe a proibição total da pesca profissional e amadora durante cinco anos
no Pantanal dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, tem preocupado
pescadores e empresários. A moratória da pesca, proposta pelo senador Blairo
Maggi (PR-MT), busca estimular o repovoamento natural dos rios..
Se por um lado o senador afirma que
essa medida ou esse projeto burro, visa estimular o repovoamento nos rios, ele
também visa matar de fome quem sobrevive da pesca e aqui citamos todos, pescadores amadores,
profissionais e os comerciantes de artigos pesqueiros.
Os
irmãos Nelio Pedro da Silva, 39, e Natalino Jorge da Silva, 41, receberam a
notícia de que a lei foi aprovada quando estavam pescando na região do
Pantanal. Oriundos de família ribeirinha, os 2 aprenderam a profissão com o
pai. É dela que tiram o sustento da família. “Eu tenho 6 filhos. Não sei fazer
outra coisa, não tenho estudo para procurar outro emprego.
Agora
esta lei é impraticável, não teremos mais como pescar”, desabafa Nelio. Amador
- A restrição é maior para pescadores amadores, que por um período de 3 anos
poderão praticar apenas a modalidade pesque e solte, que é questionada por
especialistas.
Pergunto então ao brilhante senador
se ele deixaria de plantar soja por 1 ano, tenho certeza que não, pois sua
riqueza vem do plantio da soja.
Mais não conheço um pescador ou proprietário de lojas de pesca, que tenham
ficado milionários pescando em nossos rios, se alguém conhecer quero ser
apresentado a eles. Isso nunca irá acontecer, pois posso afirmar que nenhum
pescador detém grande fortuna pelo simples ato de pescar, pois são vetados a
todo momento.
No caso dos plantadores de soja,
algodão, milho ou seja lá do que for, ninguém até hoje lançou uma lei que os proibisse
de plantar. Ou seja nunca ninguém criou
uma lei que mostrasse o perigo dos agrotóxicos para a saúde dos seres humanos e
que o veneno jogado no plantio e no solo prejudicam tanto o meio ambiente, o
solo e as pessoas em todos os sentidos.
Conhecendo alguns pescadores e
donos de lojas de pesca como eu conheço, vejo diariamente as suas necessidades
e muitos que moram na beira do rio, pasmem senhores leitores, chegam a passar
fome, tendo o seu alimento bem próximo, mais são proibidos de pega-los por
causa de uma lei arcaica e dura demais para uns enquanto existem leis que
beneficiam outros, como o salário mínimo do trabalhador que subiu para 680
reais, mais para nossa surpresa um presidiário recebe mensalmente 954 reais por
ter cometido crimes.
O
ecólogo da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) Francisco de Arruda
Machado, conhecido como Chico Peixe, explica que, ao ser devolvida ao rio, a
maioria dos peixes sobrevive por no máximo 15 dias. Isso porque o anzol provoca
ferimentos irreparáveis. “Eles precisam limitar a quantidade de peixes e
fiscalizar, não determinar medidas. Um peixe quando é pego e depois solto
dificilmente sobrevive. Os argumentos da lei não têm fundamento”. Na opinião
dele, a nova lei é socialmente injusta e equivocada economicamente, pois limita
uma atividade profissional que é legalizada. Audiência - Todos os
questionamentos do setor serão apresentados em uma audiência na Assembleia
Legislativa, nesta segunda-feira. Além dos pescadores profissionais,
trabalhadores autônomos e empresas devem participar. São pensões, casas de
gelo, vendedores de isca viva, locadoras de barcos, que já preveem uma
estagnação por conta das restrições
Então meus
amigos, estão nervosos... não vão pescar, a Lei proíbe e o governo aceita.
Eita
governinho bão sô ...
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Um comentário:
O nobre jornalista, Samuel Levy, foi muito feliz em abordar o assunto e com propriedade mostrou a leviandade como são tratados os interesses das minorias menos favorecidas no Mato Grosso.
Lembrando palavras do saudoso Ulisses Guimarães, quando citava a herança deixada por Tancredo Neves:
“Democracia é a defesa do interesse do social, devendo, porém respeitar escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias, principalmente de pessoa e classes menos favorecidas.”
Em caso de esquecimento vamos lembrar que vivemos em um estado democrático de direito e O GOVERNO DO POVO TEM QUE SER PELO POVO.
Em meus 61 anos de vida, nunca nem de longe pensei em ver uma DITADURA PARLAMENTAR, pelo que SINTO MUITO.
Interessante notar a atuação dos deputados como Sebastião Resende, Dilmar Dal Bosco e do Presidente da Assembléia que não criou empecilhos para que haja uma evolução na famigerada lei./Edson.
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