Motorista
irritado morre de infarto em atoleiro de rodovia em MT: “Ele estava muito
nervoso”
Ivan Marcondes |
Revista Super
As rodovias em Mato Grosso matam de todos os
jeitos. Um motorista de uma carreta morreu enquanto viajava para a entrega de
mercadoria na cidade de Colniza, no extremo Norte de Mato Grosso. Valteni
Augusto Ferreira, 49, sofreu um infarto fulminante. Ele estava parado com o
veículo na comunidade AR2, na MT 208, cerca de 72 quilômetros de Aripuanã, por
conta de um atoleiro que tinha próximo a pequena vila. A esposa de Valteni,
Noeli Ferreira, contou que ele estava nervoso por causa das condições da
estrada.
Ela revelou que tinha pedido demissão do
emprego para viajar com o marido e cuidar dele, já que ele era portador de
diabetes e deveria tomar remédios controlados. “Mas ele estava muito nervoso
com a situação da estrada” – acrescentou a mulher.
O casal estava semanas na estrada. Os dois
saíram de de São José do Rio Preto (SP) levando uma carga de cimento com
destino a Colniza. Ela relata que o trecho que mais demoraram para andar foi
entre a cidade de Castanheira a Juruena e em seguida a comunidade onde pararam
e aconteceu a tragédia. Nesse pedaço da estrada já estavam parados a três dias
e percorreram apenas 140 quilômetros.
Amigos de Valteni estão indignados com o
descaso e as situações das estradas. Dizem que sofrem a mesma situação todos os
anos e o Governo nem se quer disponibiliza maquinas para ajudar na manutenção
das rodovias nesse período. O caos acontece em todas as regiões do Estado.
“A região que nós rodamos de Castanheira a
Colniza ou a Aripuanã é péssima. Não tem assistência por parte dos governantes.
O município não pode mexer nas estradas, e nós que movimentamos o Brasil com o
transporte de alimentos e madeira temos que ficar 3,4 ou 5 dias parado, não
temos assistência nenhuma. Hoje um amigo nosso morreu, de infarto fulminante
por que passou raiva de mais. Isso aqui mata qualquer um de raiva mesmo!” –
disse Antônio Renato Carneiro.
Ele conta que só nos 40 quilômetros de Juruena
a AR2 gastou três dias atolando e sendo arrastado pelos companheiros.
Resignado, protestou: “Mas fazer o que, nós temos que continuar por que temos
que levar a comida para a nossa família que nos espera”.
Valteni Augusto Ferreira deixou um casal de
filhos e a esposa que o acompanhavam. Motorista a 23 anos prestava serviços
para Essencial Transportes Rio Preto.
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