Numa
das vias mais movimentadas das cidade, há o total desrespeito e falta de
fiscalização do Código de Posturas; pedestres correm o risco de serem
atropelados e calçadas provacam constantes acidades, principalmente em
idosos.
Cuiabá, capital Mato-grossense, surgiu às margens de um córrego onde hoje é a
atual avenida Tenente-Coronel Duarte, popularmente chamada de “Prainha”. Mas,
mesmo com toda essa importância, a avenida deixou de ser cuidada principalmente
no que diz respeito aos “Passeios Públicos” (calçadas) de alguns trechos. Quem
precisa trafegar pelas calçadas da Prainha encontra muitas dificuldades, entre
elas, o grande número de buracos. Durante a visita, a equipe do Centro
Oeste Popular ouviu muitas reclamações. Idosos, jovens e adultos contam que já
torceram o pé em um dos buracos. Rosimeire Silva trabalha em uma das lojas ali
há mais de três anos. Ela disse que as calçadas nunca foram planas ou sem
buracos. “Já vi muitas senhoras caírem aqui na frente da loja, eu sempre ajudo”,
contou. “A prefeitura tem que resolver isso aqui, as pessoas estão correndo
risco de vida”, pediu. Além dos diversos buracos, carros são estacionados
em frente aos comércios. ‘Quem estaciona na prainha trabalha no calçadão’. Isso
é o que reclama uma vendedora que trabalha no local, ela não quis se
identificar. “Um dia eu e meu colega ficamos sondando um cara que estacionou o
carro aqui. Ele trabalha pra lá da Bispo e estacionou aqui, tão longe. Ai
nossos clientes não podem parar pra comprar porque não há vagas” reclamou. Pessoas
com deficiência também não conseguem trafegar no local. Um cadeirante, por
exemplo, pode cair com a inclinação inadequada, com os buracos ou pode até
mesmo ser impedido de passar devido aos carros estacionados nas calçadas.
“Aqui calçada não existe, virou tudo estacionamento”, reclama o
aposentado Jose Sidney Amorim, 68, que possui uma deficiência em sua perna
esquerda e anda com bengala. Segundo José, ele já torceu os pés várias vezes e
quase foi atropelado porque não havia como passar na calçada e ele teve que
passar “beirando a rua”.
O
que diz o Código
O
Código de Posturas de Cuiabá atualizado em 2010, na gestão do então prefeito
Wilson Santos, prevê que “Os passeios serão construídos de acordo com a largura
projetada com o meio-fio a 0,20m (vinte centímetros) de altura”. Mas a
reportagem do site Copopular constatou que essas e outras normas não estão
sendo cumpridas. Exemplo disso é a inclinação correta, que deveria ser “de 0,2%
a 0,3% do lote para o meio fio”. Os passeios estão irregulares por falta
de profissionais especializados na área. Isso é o que diz o Coordenador da
Comissão de Acessibilidade do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia
(Crea-MT), Givaldo Dias Campos. “A prefeitura tinha que divulgar essas normas,
seja com um jornalzinho, folheto ou livro. Como as pessoas saberão que essas
regras existem, se elas não são divulgadas à população”, questiono. De acordo
com Campos, os proprietários dos lotes não costumam contratar profissionais de
engenharia ou arquitetura para construir calçadas. “Quem está fazendo esse tipo
de obra são os pedreiros e por isso acontece tanta irregularidade. Mas não é
culpa deles, é falta de informação”. Lamentou. Givaldo disse que é muito
difícil encontrar calçadas regulares na cidade. “Pra você ter uma ideia, nem o
prédio da prefeitura tem as calçadas regulares, ou seja, eles estão
descumprindo suas próprias normas” observou Givaldo. Ainda segundo o
Código de Posturas “é de responsabilidade dos proprietários de lote a
construção e manutenção do passeio em toda a testada dos terrenos localizados
em logradouros públicos providos de meio-fio e asfalto.” Mas, o dever de
fiscalizar é da Prefeitura através da Secretaria do Meio Ambiente. O que não
vem acontecendo há muito tempo.
Soluções paliativas e
constantes acidentes
Antônio
Carlos de Oliveira é coordenador de fiscalização na Secretaria do Meio Ambiente
e disse que a fiscalização é feita, porém, naquela região não está acontecendo
nesses últimos meses devido as mudanças que ocorrerão no local para as
adequações da Copa do Mundo Fifa 2014. Devido aos acidentes e riscos que a
equipe do Centro Oeste Popular contou ao coordenador, ele providenciou uma
fiscalização no local. “Vou mandar fiscalizar lá e quem estiver irregular será
notificado”, disse. Apesar da reação, Antonio Carlos não apontou nenhum projeto
(força tarefa) que obriguem os proprietários dos lotes regularizarem a
situação. No dia seguinte o coordenador deu um retorno à
reportagem, dizendo que as providências haviam sido tomadas. “Nós fomos lá e,
já haviam tapado os buracos e não foi necessária a notificação”, salientou.
Mas, os problemas não se restringem aos buracos, as calçadas estão fora de
todas as normas do Código de Posturas de Cuiabá.
Na
semana passada a costureira Sueli Garcia, 52, presenciou uma cena que segundo
ela não é um caso isolado. Um deficiente físico não tinha por onde passar e
teve que ir pela via. “O cadeirante estava andando no meio da avenida porque as
calçadas estavam cheias de carros, isso é um absurdo”, desabafou. A situação é
realmente precária. O pior é que as pessoas não exageram em seus depoimentos e
reclamações. Durante as observações da reportagem, a equipe do site Copopular
flagrou por várias vezes pessoas tendo que passar na rua para chegar ao ponto
de ônibus, passando muito perto dos carros em movimento, correndo risco de
serem atropelados. Para um deficiente visual, por exemplo, é impossível
transitar nas calçadas da Prainha. São muitos obstáculos que não o deixaria
chegar ao destino final.
VLT
da Prainha- A
Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo (Secopa) divulgou o início das obras
na avenida Tenente-Coronel Duarte para construção do VLT (Veículo Leve sobre
Trilhos). A obra tem previsão para começar no início de março. O desejo da
população agora é que as obras para Copa iniciem logo no local, para que os
problemas sejam resolvidos. “Espero que a prefeitura resolva isso logo, porque
a Copa está bem aí”, disse o senhor Sidney esperançoso de melhorias.
Da Redação, Ana Sampaio

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