6 de fevereiro de 2013

BRINCANDO DE ESCONDE...ESCONDE!!!


CALOTE NO APOSENTADO 
Aposentado de Barueri briga na Justiça para receber prêmio enquanto a Justiça caça uma forma de executar dívida de “homem de ouro” de Silval Barbosa
Carlos Rayel aplicou golpe de R$ 282 mil contra velhinho em São Paulo

ENOCK CAVALCANTI
CENTRO OESTE POPULAR
CORREIO DOS MUNICIPIOS




O marqueteiro Carlos Rayel, a julgar pelos processos em que figura como réu, na Justiça de São Paulo, parece ser um homem de muitas caras. Em processos movidos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, Carlos Rayel aparece como personagem de um “enriquecimento estonteante”, faturando muito além do que seria possível, dados os limites de seus rendimentos na administração do então governador Orestes Quércia.
Só que existem outras pessoas na captura de Rayel e nossa reportagem encontrou, na cidade de Osasco, o aposentado Jovino Dantas Barbosa, de 71 anos, que acabou de sair de um tratamento de câncer no pulmão e se angustia tentando receber, desde 1995, um prêmio que uma das muitas e variadas empresas comandadas por Rayel  sorteou através de um bingo promovido na cidade de Osaco.
‘Seo’ Jovino ganhou mas não levou um carro Volks, uma casa popular e uma linha telefônica, dentro de um sorteio do qual participaram milhares de pessoas. O processo aberto pelo aposentado contra o atual secretário de Comunicação de Mato Grosso já está em fase de execução mas “seo” Jovino não consegue receber sua grana porque a Justiça não consegue localizar o esquivo Rayel que parece ocupar uma parte de sua vida em se esconder dos oficiais de Justiça.
Bingão da Cesta Milionária
A empresa SCR Planejamento e Promoções, comandada por Rayel, deu o nome de “Bingão da Cesta Milionária” ao sorteio que promoveu, na Grande São Paulo, em 1995, e através do qual faturou prestigio e muito dinheiro, vendendo cartelas em todo estado,  em uma época em que sorteios como esse eram legalizados, contando inclusive com cobertura da televisão. Os sorteios organizados por Carlos Rayel, antes de se transformar em marqueteiro de Garotinho, Carlos Bezerra e Silval Barbosa, eram transmitidos pela extinta TV Manchete, para todo o Brasil.
Em entrevista exclusiva, gravada em vídeo,  “seo” Jovino Dantas Barbosa queixou-se que a empresa de Rayel tinha um prazo de 180 dias para fazer a entrega dos prêmios que ele ganhara no dia 28 de maio de 1995, através da cartela  de número 4864233-40 – só que a enrolação se estende até este ano de 2012. O aposentado ainda esperou e negociou, na maior boa fé, por dois anos com a empresa de Rayel, sem jamais lograr êxito no acesso à premiação. Em 1997, dentro desse processo de empurrar o problema com a barriga, Rayel e a SCR, depois de diversas cobranças infrutíferas por parte do ganhador do Bingão, firmaram um contrato garantindo que, por ocasionais dificuldades de caixa, pagariam o prêmio parceladamente – só que também não cumpriram este acordo.
Restou, então, ao “seo” Jovino o caminho da Justiça. Com seus parcos recursos, teve que recorrer à Defensoria Pública de São Paulo que  impetrou uma ação de execução do contrato, na 2º Vara Cível do Fórum Regional de Santo Amaro, na capital paulista, sob número 0684/1997. O reclamante teve ganho de causa através de decisão do juiz  Francisco Jianquito, em janeiro de 2003. Na ocasião o magistrado determinou o bloqueio de  dois carros, bem como notificou o Banco Central para efetuar penhora on-line nas contas bancárias  de Carlos Rayel, onde  quer que fossem localizadas. Só que, a  julgar pelo teor das ações judiciais em que figura como réu, depois de refestelar-se nas funções que exercia no governo de Quércia, Rayel partiu para outros voos pelo Brasil afora, sem deixar pista do seu paradeiro, já agora posando de marqueteiro, e sendo acolhido, entre outros, pelo então cacique do PMDB do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e sua esposa Rosinha. Em Mato Grosso, Rayel tem atuado como marqueteiro de Carlos Bezerra, José Carlos do Pátio e Silval Barbosa, todos figuras proeminentes do PMDB mato-grossense que parecem não se incomodar com as cobranças que pairam sobre a biografia de Carlos Rayel.
A dívida de Rayel para com “seo” Jovino, feitos os devidos ajustes monetários, hoje está avaliada em R$ 282 mil e o aposentado só conseguiu penhorar R$ 3 mil reais em uma das contas do marqueteiro, porém até agora a Justiça paulista não logrou sequer notificar Rayel para que o aposentado possa fazer o levantamento dessa mixaria inicial. Rayel se mandou de São Paulo sem preocupação em informar seu rumo para o Judiciário e as tentativas dos oficiais de Justiça do Fórum de Santo Amaro para citá-lo a apresentar bens à penhora, depois da decisão do juiz Jianquito, tem sido em vão. Enquanto ‘seo’ Jovino sofre com as sequelas do seu câncer, residindo em humilde residência, ao lado da esposa e de uma filha, sobrevivendo com apenas um salário mínimo mensal da aposentadoria pelo INSS, Carlos Rayel agora vive em Cuiabá, recebe polpudo salário de secretário de Estado, em Mato Grosso e voltou a ter sob seu controle, tal como nos tempos de Quércia, um orçamento nababesco.
Outro lado
Rayel  não se manifesta
O secretario Carlos Rayel não respondeu às inúmeras tentativas do COP para ouvir sua vesão no caso do velhinho lesado no bingo paulista. Rayel se mantém alheio e as revelações sobre as ações judiciais em que figura como réu, na Justiça paulista, parece não tê-lo incomodado muito. Nem a ele nem a ninguém da administração do governador Silval Barbosa, alvo de tantos questionamentos. Para quem há anos foge de suas responsabilidades para com um velho aposentado de Osasco, não é de estranhar esse silencio constrangedor.

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