Site diz que Arena Pantanal corre risco de não ficar pronta
Motivo
seria a saída de duas construtoras do canteiro de obras, no bairro Verdão
]DA REDAÇÃO
O site UOL - do grupo que edita o
jornal Folha de
S. Paulo - afirma,
nesta segunda-feira (11), que as obras de construção da Arena Pantanal correm o
risco de não ficarem prontas a tempo da Copa do Mundo de 2014.
O
motivo, segundo a reportagem é a saída de duas construtoras do canteiro de
obras no bairro Verdão - a Santa Barbara Engenharia e a Loyman Assessoria e
Montagem Industrial Ltda.
A
primeira lidera o consórcio com a Mendes Júnior e a segunda foi contratada para
montar a estrutura metálica do estádio.
Assinada
pelos repórteres Vinícios Segalla e Aiur Ribeiro, a reportagem ressalta que a
saída da Santa Bárbara do consórcio ainda não foi anunciada.
Duas
empresas deixam construção do estádio de Cuiabá, e obra corre risco de não
ficar pronta.
Aiuri
Rebello e Vinícius Segalla
Do
UOL, em Cuiabá
As
obras da Arena Pantanal, em Cuiabá, correm risco de não ficarem prontas a tempo
da Copa do Mundo de 2014 após duas construtoras que tocavam o projeto
abandonarem a empreitada, na semana passada. Agora, a empreiteira responsável
que sobrou terá que triplicar sozinha o ritmo em que segue atualmente a
construção para conseguir entregar o estádio dentro do prazo, em outubro deste
ano.
Beirando
a falência, a construtora Santa Bárbara Engenharia SA, líder do consórcio Santa
Bárbara-Mendes Júnior, responsável pelo projeto, está deixando os trabalhos
para serem tocados apenas pela construtora Mendes Júnior e suas subempreiteiras
contratadas. Uma delas, a responsável pela montagem das estruturas metálicas do
estádio, deixou a obra após ter ficado oito meses sem receber por seus
trabalhos.
A saída da construtora líder do consórcio ainda não foi anunciada. Tanto as empreiteiras envolvidas quanto o governo do Estado de Mato Grosso (que banca a obra) não negam nem confirmam o abandono, dizem apenas que a saída da Santa Bárbara não muda a situação do contrato entre o poder público e o consórcio. A informação, porém, foi confirmada ao UOL Esporte por membros da Rede de Controle (grupo formado por promotores, procuradores e membros de tribunais de contas que acompanha as obras da Copa), funcionários da obra e empreiteiros que preferiram manter anonimato.
A conclusão da Arena Pantanal, a um custo de R$ 519 milhões e prevista para outubro desde ano, não será tarefa fácil. Desde que começou, em maio de 2010, até o final de fevereiro deste ano, a obra atingiu 62% de conclusão. Ou seja, o avanço em 34 meses se deu ao ritmo de 1,82% ao mês, em média. Assim, para a empreitada ser levada a cabo dentro do prazo, o ritmo dos trabalhos terá que ser triplicado, e a construção deverá andar a 5,48% ao mês em média.
A saída da construtora líder do consórcio ainda não foi anunciada. Tanto as empreiteiras envolvidas quanto o governo do Estado de Mato Grosso (que banca a obra) não negam nem confirmam o abandono, dizem apenas que a saída da Santa Bárbara não muda a situação do contrato entre o poder público e o consórcio. A informação, porém, foi confirmada ao UOL Esporte por membros da Rede de Controle (grupo formado por promotores, procuradores e membros de tribunais de contas que acompanha as obras da Copa), funcionários da obra e empreiteiros que preferiram manter anonimato.
A conclusão da Arena Pantanal, a um custo de R$ 519 milhões e prevista para outubro desde ano, não será tarefa fácil. Desde que começou, em maio de 2010, até o final de fevereiro deste ano, a obra atingiu 62% de conclusão. Ou seja, o avanço em 34 meses se deu ao ritmo de 1,82% ao mês, em média. Assim, para a empreitada ser levada a cabo dentro do prazo, o ritmo dos trabalhos terá que ser triplicado, e a construção deverá andar a 5,48% ao mês em média.
A Arena
Pantanal começou a ser construída em maio de 2010 - a primeira entre todas as
12 que serão usadas na Copa do Mundo. A previsão inicial era que ela estivesse
concluída em dezembro de 2012. Não ocorreu. Em julho de 2012, o estádio tinha
46% de suas obras concluídas. Naquele mês, o governo de Mato Grosso assinou um
aditivo ao contrato e estendeu o prazo de entrega até outubro deste ano.
O custo
inicial previsto pelo governo de Mato Grosso era de R$ 342 milhões. Atualmente,
está em R$ 519 milhões (aumento de 51%). A assessoria de comunicação do
consórcio construtor, porém, informou ao UOL Esporte que, em breve, um terceiro
turno de trabalho terá que ser criado para que a obra possa ser entregue a
tempo, o que significa uma nova repactuação contratual, com mais um aumento de
custo.
Hoje, de acordo com o consórcio, cerca de 800 operários se revezam em dois turnos no canteiro de construção do estádio. Apesar disso, o UOL Esporte presenciou o momento do encerramento de um turno de trabalho no final da tarde do último sábado (9) e não havia mais que 50 operários deixando a construção. Além disso, operários disseram à reportagem que os funcionários da Santa Bárbara não trabalham mais no local.
Beirando a falência
Hoje, de acordo com o consórcio, cerca de 800 operários se revezam em dois turnos no canteiro de construção do estádio. Apesar disso, o UOL Esporte presenciou o momento do encerramento de um turno de trabalho no final da tarde do último sábado (9) e não havia mais que 50 operários deixando a construção. Além disso, operários disseram à reportagem que os funcionários da Santa Bárbara não trabalham mais no local.
Beirando a falência
Com
problemas na Justiça e uma dívida de R$ 543 milhões, conforme relevou o UOL
Esporte, a Santa Bárbara está em processo de recuperação judicial e beira a
falência. Além disso, parte do dinheiro que entra no caixa da empreiteira,
depositado pelo governo estadual de Mato Grosso para ser utilizado na Arena
Pantanal, segue outro caminho: o pagamento de dívidas da Santa Bárbara com
outros credores.
Pesa sobre a Santa Bárbara uma série de bloqueios de valores autorizados judicialmente: a uma empresa chamada BK Transportes e Serviços, a empreiteira deve R$ 272 mil. Já à Topázio Inspeções tem R$ 908 mil a receber, enquanto outros R$ 5,24 milhões devem ser pagos à Mills Estruturas de Serviços e Engenharia.
Pesa sobre a Santa Bárbara uma série de bloqueios de valores autorizados judicialmente: a uma empresa chamada BK Transportes e Serviços, a empreiteira deve R$ 272 mil. Já à Topázio Inspeções tem R$ 908 mil a receber, enquanto outros R$ 5,24 milhões devem ser pagos à Mills Estruturas de Serviços e Engenharia.
Dessa
forma, recursos da Secopa-MT (Secretaria Extraordinária para a Copa de Mato
Grosso) transferidos ao Consórcio Santa Bárbara Mendes Júnior para pagar o
estádio são sequestrados pela Justiça desde o ano passado, conforme também
revelou o UOL Esporte, em agosto do ano passado. De acordo com empresários do
setor de construção civil em Cuiabá, a saída da construtora da empreitada é uma
manobra para que o dinheiro do governo de Mato Grosso volte a ficar na obra e
não vá para cobrir dívidas anteriores da Santa Bárbara.
O
Consórcio Santa Bárbara-Mendes Júnior não se pronuncia sobre a situação. A
reportagem do UOL Esporte não foi autorizada a entrar no canteiro de obras da
Arena Pantanal, mas o atraso é visível mesmo do lado de fora. Em alguns locais
do entorno do estádio, o terreno ainda não foi sequer aplainado. A
superestrutura das arquibancadas é a única parte pronta. A estrutura metálica
que envolverá todo o estádio não está na metade e, na semana passada, causou a
paralisação das obras e virou caso de polícia.
Caso de polícia
Caso de polícia
A
Loyman Assessoria e Montagem Industrial Ltda, contratada pelo consórcio para
montar a estrutura metálica do estádio, retirou no início da semana passada os
seis guindastes e os funcionários que mantinha no canteiro de obras da Arena
Pantanal. À imprensa cuiabana, o dono da empresa, Ibê Loyola Júnior, chegou a
dizer que não aguentava mais, pois estava havia mais de oito meses sem receber
pelo serviço prestado.
Esgotado financeira e emocionalmente, o empresário decidiu tirar seus equipamentos do canteiro, mas foi barrado pelos seguranças da Santa Bárbara e da Mendes Júnior. A polícia foi chamada e um boletim de ocorrência foi lavrado. Os guindastes lá permaneceram até que um distrato entre a Loyman e o consórcio fosse assinado. O caso mexeu com a saúde de Ibê Loyola Junior, que deixou Cuiabá para um período de descanso no interior do Rio Grande do Sul.
Esgotado financeira e emocionalmente, o empresário decidiu tirar seus equipamentos do canteiro, mas foi barrado pelos seguranças da Santa Bárbara e da Mendes Júnior. A polícia foi chamada e um boletim de ocorrência foi lavrado. Os guindastes lá permaneceram até que um distrato entre a Loyman e o consórcio fosse assinado. O caso mexeu com a saúde de Ibê Loyola Junior, que deixou Cuiabá para um período de descanso no interior do Rio Grande do Sul.
A Santa
Bárbara e a Mendes Júnior negaram que vinham atrasando pagamentos e ainda
colocaram toda a culpa na empresa que abandonou a obra. "O Consórcio Santa
Bárbara/Mendes Júnior afirma que as acusações de inadimplência feitas em
desfavor deste Consórcio pela empresa Loyman - Assessoria e Assistência Técnica
Ltda não procedem e que, inclusive, a referida empresa abandonou, de maneira
injustificada, o canteiro de obras, motivo pelo qual todas as medidas legais
cabíveis serão rigorosamente adotadas por este Consórcio˜, disse, em nota, o
consórcio.
"O Consórcio esclarece ainda que a situação gerada pela Loyman - Assessoria e Assistência Técnica Ltda já foi contornada, sendo que um novo fornecedor dará regular continuidade à execução dos trabalhos˜. Apesar disso, até domingo (10) a montagem da estrutura metálica não havia sido retomada.
"O Consórcio esclarece ainda que a situação gerada pela Loyman - Assessoria e Assistência Técnica Ltda já foi contornada, sendo que um novo fornecedor dará regular continuidade à execução dos trabalhos˜. Apesar disso, até domingo (10) a montagem da estrutura metálica não havia sido retomada.
Já com
a ameaça de processo posta na mesa, a Loyman enviou ao UOL Esporte uma nota
tentando amenizar a gravidade do problema e sem informar qual o tamanho da
dívida do consórcio com a empresa. "Ocorreu desacordo comercial, motivado
pelo não cumprimento contratual do contratante (Consórcio Santa Bárbara Mendes
Júnior). (…) Esclarecemos ainda que a decisão da saída do canteiro da obra foi
tomada de comum acordo entre as partes envolvidas˜, diz o comunicado da Loyman.
Sem resposta
Sem resposta
O UOL
Esporte solicitou entrevista com responsáveis pelo consórcio da Arena Pantanal,
com dirigentes da Santa Bárbara Engenharia SA e com o secretário Maurício
Guimarães, titular da Secopa-MT, mas os pedidos não foram atendidos.
O promotor do núcleo de defesa do patrimônio público do Ministério Público de Mato Grosso, Clóvis de Almeida Júnior, informou à reportagem que o próprio Maurício Guimarães informou-lhe da saída da Santa Bárbara da empreitada. Já o consórcio não quis se manifestar sobre o assunto.
O promotor do núcleo de defesa do patrimônio público do Ministério Público de Mato Grosso, Clóvis de Almeida Júnior, informou à reportagem que o próprio Maurício Guimarães informou-lhe da saída da Santa Bárbara da empreitada. Já o consórcio não quis se manifestar sobre o assunto.
Questionada
sobre o motivo da Santa Bárbara deixar o consórcio, qual a parte que cabia à
construtora na obra, se haveria atraso na entrega ou aumento de custo, a
Secopa-MT, através de sua assessoria de imprensa, foi lacônica. "Informamos
que não há nenhuma alteração do contrato entre o consórcio construtor da Arena
Pantanal e a Secopa".

Nenhum comentário:
Postar um comentário