Carlos Rayel aplicou golpe de R$ 282 mil em velhinho de Osasco
Calote no aposentado – Aposentado de
Barueri
briga na Justiça para receber prêmio enquanto a Justiça caça uma forma
de executar dívida de “homem de ouro” de Silval Barbosa
Carlos Rayel aplicou golpe de R$ 282
mil contra velhinho em São Paulo
ENOCK CAVALCANTI
CENTRO OESTE POPULAR
CENTRO OESTE POPULAR
CORREIO DOS MUNICIPIOS
O marqueteiro Carlos Rayel, a julgar pelos processos em que figura como
réu, na Justiça de São Paulo, parece ser um homem de muitas caras. Em processos
movidos pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, divulgados na edição
anterior deste CENTRO OESTE POPULAR, Carlos Rayel aparece como personagem de um
“enriquecimento estonteante”, faturando muito além do que seria possível, dados
os limites de seus rendimentos na administração do então governador Orestes
Quércia.
Só que existem outras pessoas na captura de Rayel e nossa reportagem
encontrou, na cidade de Osasco, o aposentado Jovino Dantas Barbosa, de 71 anos,
que acabou de sair de um tratamento de câncer no pulmão e se angustia tentando
receber, desde 1995, um prêmio que uma das muitas e variadas empresas
comandadas por Rayel sorteou através de um bingo promovido na cidade de
Osaco.
‘Seo’ Jovino ganhou mas não levou um carro Volks, uma casa popular e uma
linha telefônica, dentro de um sorteio do qual participaram milhares de
pessoas. O processo aberto pelo aposentado contra o atual secretário de
Comunicação de Mato Grosso já está em fase de execução mas “seo” Jovino não
consegue receber sua grana porque a Justiça não consegue localizar o esquivo
Rayel que parece ocupar uma parte de sua vida em se esconder dos oficiais de
Justiça.
Bingão da Cesta Milionária
A empresa SCR Planejamento e Promoções, comandada por Rayel, deu o nome
de “Bingão da Cesta Milionária” ao sorteio que promoveu, na Grande São Paulo,
em 1995, e através do qual faturou prestigio e muito dinheiro, vendendo
cartelas em todo estado, em uma época em que sorteios como esse eram
legalizados, contando inclusive com cobertura da televisão. Os sorteios
organizados por Carlos Rayel, antes de se transformar em marqueteiro de
Garotinho, Carlos Bezerra e Silval Barbosa, eram transmitidos pela extinta TV
Manchete, para todo o Brasil.
Em entrevista exclusiva, gravada em vídeo, “seo” Jovino Dantas
Barbosa queixou-se que a empresa de Rayel tinha um prazo de 180 dias para fazer
a entrega dos prêmios que ele ganhara no dia 28 de maio de 1995, através da
cartela de número 4864233-40 – só que a enrolação se estende até este ano
de 2012. O aposentado ainda esperou e negociou, na maior boa fé, por dois anos
com a empresa de Rayel, sem jamais lograr êxito no acesso à premiação. Em 1997,
dentro desse processo de empurrar o problema com a barriga, Rayel e a SCR,
depois de diversas cobranças infrutíferas por parte do ganhador do Bingão,
firmaram um contrato garantindo que, por ocasionais dificuldades de caixa,
pagariam o prêmio parceladamente – só que também não cumpriram este acordo.
Restou, então, ao “seo” Jovino o caminho da Justiça. Com seus parcos
recursos, teve que recorrer à Defensoria Pública de São Paulo que
impetrou uma ação de execução do contrato, na 2º Vara Cível do Fórum Regional
de Santo Amaro, na capital paulista, sob número 0684/1997. O reclamante teve
ganho de causa através de decisão do juiz Francisco Jianquito, em janeiro
de 2003. Na ocasião o magistrado determinou o bloqueio de dois carros,
bem como notificou o Banco Central para efetuar penhora on-line nas contas
bancárias de Carlos Rayel, onde quer que fossem localizadas. Só
que, a julgar pelo teor das ações judiciais em que figura como réu,
depois de refestelar-se nas funções que exercia no governo de Quércia, Rayel
partiu para outros voos pelo Brasil afora, sem deixar pista do seu paradeiro,
já agora posando de marqueteiro, e sendo acolhido, entre outros, pelo então
cacique do PMDB do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e sua esposa Rosinha. Em
Mato Grosso, Rayel tem atuado como marqueteiro de Carlos Bezerra, José Carlos
do Pátio e Silval Barbosa, todos figuras proeminentes do PMDB mato-grossense
que parecem não se incomodar com as cobranças que pairam sobre a biografia de
Carlos Rayel.
A dívida de Rayel para com “seo” Jovino, feitos os devidos ajustes
monetários, hoje está avaliada em R$ 282 mil e o aposentado só conseguiu
penhorar R$ 3 mil reais em uma das contas do marqueteiro, porém até agora a
Justiça paulista não logrou sequer notificar Rayel para que o aposentado possa
fazer o levantamento dessa mixaria inicial. Rayel se mandou de São Paulo sem
preocupação em informar seu rumo para o Judiciário e as tentativas dos oficiais
de Justiça do Fórum de Santo Amaro para citá-lo a apresentar bens à penhora,
depois da decisão do juiz Jianquito, tem sido em vão. Enquanto ‘seo’ Jovino
sofre com as sequelas do seu câncer, residindo em humilde residência, ao lado
da esposa e de uma filha, sobrevivendo com apenas um salário mínimo mensal da
aposentadoria pelo INSS, Carlos Rayel agora vive em Cuiabá, recebe polpudo
salário de secretário de Estado, em Mato Grosso e voltou a ter sob seu
controle, tal como nos tempos de Quércia, um orçamento nababesco.
Outro
lado
Rayel
não se manifesta
O secretario Carlos Rayel não respondeu às inúmeras tentativas do COP
para ouvir sua versão no caso do velhinho lesado no bingo paulista. Rayel se
mantém alheio e as revelações sobre as ações judiciais em que figura como réu,
na Justiça paulista, parece não tê-lo incomodado muito. Nem a ele nem a ninguém
da administração do governador Silval Barbosa, alvo de tantos questionamentos.
Para quem há anos foge de suas responsabilidades para com um velho aposentado
de Osasco, não é de estranhar esse silencio constrangedor.
CORREIO DOS MUNICIPIOS
Tentamos também durante uma semana um contato com o senhor Rayel para
que ele se pronunciasse sobre o assunto. Na Secom a secretaria Gabriela nos
informou que mandou mensagens e deixou no gabinete as minhas ligações e o
assunto, mais em vão. O secretario não que falar. QUEM CALA É CULPADO MESMO!

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