6 de julho de 2011

A saída de Pagot do Dnit prejudica MT

Por Auro Ida

Os arautos da moralidade comemoraram. Os adversários, também. Mas o afastamento de Luiz Antonio Pagot da direção geral do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) vai representar um prejuízo incalculável para Mato Grosso. Ao invés de "festa", portanto, o caso é de preocupacão, especialmente porque vamos perder um defensor dos interesses do Estado no órgão.

Não sou advogado de defesa de Pagot, aqui, nessa coluna, já o critiquei como o elogiei. No entanto, é preciso ser justo. Ninguém, absolutamente ninguém, mesmo os seus adversários e seus inimigos, pode dizer que a malha rodoviária federal não melhorou em Mato Grosso. Quem usa as Brs, por exemplo, 364, 163, 070, entre outras, sabe que o martírio dos buracos acabou.

Dias atrás, conversava com o ex-prefeito de Peixoto de Azevedo, Leonísio Lemos, que me dizia que fazia o trajeto, de sua cidade, a Sinop em torn o de cinco horas. "Ägora, faco em 1 hora", afirmava. Cerca de dois meses artás, fui a Mirassol Oeste, na região da Grande Cáceres, e fiquei impressionado com o trabalho que estava sendo realizado na rodovia. Toda recapeada e sinalizada.

Assim, está a situacão de quase todas as rodovias federais em Mato Grosso: boas condicões de trafegabilidade. E esse resultado, queira ou não, é gracas a Luiz Antonio Pagot. Com o seu afastamento da direcão do Dnit, fico preocupado com a possibilidade das obras essenciais a Mato Grosso como a pavimentacão da Br 163 até Santarém (PA) seja paralisada e, principalmente, a duplicacão da 163, entre Rondonópolis e o Posto Gil, voltar a ser somente um sonho, algo inatingível.

Depois de muita luta - não existia nem projeto básico -, Pagot está conseguindo concretizar esse sonho, importante para dar maior agilidade no escoamento da safra e, especialmente, mais seguranca aos usuários desse trecho, o mais moviment ado do Estado. Sou, como já disse, otimista por natureza, mas temo que sem Pagot no Dnit os buracos nas rodovias federais voltem a ser o pesadelo dos seus usuários.

Por isso, ao invés de "comemorar" - como seus adevesarios estão fazendo -, acho que esse momento é de reflexão e de preocupacão. Não sou mato-grossense de nascimento, o sou - com muito orgulho - de coracão. É aqui que meus filhos nasceram e aqui que pretendo passar o resto da minha vida. Portanto, vou sempre lutar para que este Estado cresca e se fortaleca. E, desse episódio, fico triste de ver, de um lado, os adversários malhando e, de outro, ninguém da bancada federal ter saído em defesa de Pagot.

É preciso dar direto ao Pagot da presuncão da inocência. Li a revista Veja e não encontrei subsídios necessários para o seu afastamento. Aliás, se houve participacão do Dnit no escândalo, porque os demais diretores não foram também afastados? O que me parece é que Luiz Pagot foi, nesse caso específico, bode expiatório para salvar a pele do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Essa, porém, é uma questão que a investigacão vai dizer.

Confesso que estou torcendo que seja inocentado e, agora, se for constatado a sua participacão nas maracutais, que seja exemplarmente punido. O fato não é: não podemos perder um cargo tão vital para Mato Grosso e, por isso, de longe, estou na torcida para que essa tempestade passe o quanto antes e que tudo volte a normalidade. Se tiver errado, vou dar mão a palmatória, sem problemas.

*Auro Ida é jornalista

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