11 de fevereiro de 2011

ARTIGO...MENDIGOS DA COMUNICAÇÃO

MENDIGOS DA COMUNICAÇÃO
AUTOR: JORNALISTA SAMUEL LEVY – DRT-MT 1500 Os cabelos brancos e ralos, as pernas que já não agüentam sustentar o corpo, o olhar cabisbaixo. Este é mais ou menos o retrato do homem que eu encontro nos corredores dos poderes públicos em Mato Grosso. Doente o bom velhinho já não deve ter muito tempo de vida, mais continua com sua pastinha batendo nas portas dos assessores, já que nunca consegue falar com o titular da pasta, tem que se submeter as humilhações que os “assessores” o faz passar), na tentativa de conseguir recursos para divulgação daquele poder em suas páginas no seu jornalzinho que circula em alguma cidade do interior do estado de MT. Ao contrario dos proprietários dos grandes veículos de comunicação que exigem audiências, pressionam com matérias nada agradáveis, o querido e bom velhinho espelha a situação de uma leva de pequenos jornais que vivem praticamente em estado de mendicância para assegurar sua sobrevivência e é sempre complicada a relação entre ele e os poderes. Fica de 3 a 4 horas na recepção dos gabinetes luxuosos e geladinhos e depois de todo esse tempo o recebe apenas para dizer que irá encaminhá-lo ao titular da pasta, este por sua vez é sempre muito ocupado, não pode recebê-lo por que esta sempre em “reunião” ou pede para que o mesmo faça contato por telefone celular quer sempre está fora da área de serviço ou na caixa de mensagem. O bom e honesto velhinho já está calejado com todas essas artimanhas e sabe que a única maneira de chegar ao seu objetivo é ter paciência e vence-los pelo cansaço. Tanto que quando lhe falam que não foi possível incluí-lo na lista de contemplados ele educadamente diz entender toda aquela situação e se prepara para uma outra via sacra. Vai ter uma nova oportunidade de falar com alguém? Ele não sabe! Sabe apenas que não pode desistir. Sabe também que o chamam de picareta, que o se4u jornalzinho não tem valor, sabe que a sua presença nos corredores nos gabinetes mais incomoda que agrada mas ele não desiste e sabe que será assim até o seu último dia. Este corpo calejado e alquebrado que se arrasta pelos corredores ou as vezes se senta em uma das cadeiras confortáveis das antes-salas dos gabinetes, logo não mais fará esse trajeto. Talvez tenham a sensibilidade de lhe prestarem alguma homenagem ou seja, motivo de poucos comentários, mais será esquecido depois de uma semana como acontece com os mendigos que se ausentam para sempre das esquinas das cidades, cujo o corpo é alojado nas covas indigentes, sem qualquer registro nas páginas dos grandes jornais ou nos jornais dos poderes que está religiosamente sendo impressos, que o bom, honesto e trabalhador velhinho descanse em paz, por aqui a luta continua! Estou escrevendo esse artigo e vou repetir quantas vezes for necessário, até que nossos políticos, aqueles que usam dos nossos jornais para se elegerem e depois nos tratam com desprezo, tomem vergonha na cara e comecem a nos tratar com dignidade. Nós divulgamos seus trabalhos, seus atos e o que ganhamos com isso? Porta na cara ou um “Vai trabalhar vagabundo”. Queremos e exigimos respeito ao nosso trabalho, da mesma forma que respeitamos o trabalho de todos que se elegem com nosso suor e nos fazem promessas que nunca são cumpridas. Precisamos acordar companheiros e dar um basta nessa situação, ou tomamos uma posição urgente para mostrar a esses homens o valor do nosso trabalho ou jogamos a toalha de uma vez. Vocês podem até não acreditar, mais quando nossos jornais começaram a circular, cabiam bem aos olhos de todos e muitos diziam “esses jornais vão ser famosos e vão ajudar muito nossas cidades, esses jornais vão ser melhores do que qualquer um que conhecemos. E eles cresceram lindos, maravilhosos, cheios de matérias empolgantes e nós seguimos cada passo desse crescimento. Então chegou a hora de mostrar para todos a nossa força e conquistar cada vez mais nosso espaço, mais ao longo de todo esse percurso nós mudamos, nós deixamos de ser nós mesmos e agora deixamos as pessoas colocarem o dedo e nossas caras e nos pagar as migalhas que elas acham que nós merecemos e quando as coisas ficam difíceis, procuramos alguém para culpar e sempre a culpa recai sobre nós mesmos, isso, por que achamos que nosso trabalho é inferior aos outros. Eu vou dizer uma coisa que todos nós já sabemos, o mundo não é um grande arco-íris, é um mundo sujo, um mundo cruel que não quer saber o quanto nós somos durões, vai querer a todo momento nos colocar de joelhos e nós vamos ficar ajoelhados se nós deixarmos isso acontecer. Nem você, eu e nem ninguém vai bater tão duro quanto ele, mais não se trata de bater ou revidar as porradas, trata-se saber o quanto nós agüentamos apanhar e seguir em frente, o quanto nós somos capaz de agüentar e continuar tentando, é assim que se consegue vencer. Se cada um de nós sabemos nosso valor, então vamos atrás daquilo que cada um de nós merecemos. Mas temos que ter disposição para apanhar e nada de apontar o dedo e dizer quer não conseguimos por que as coisas estão difíceis, por que somos pequenos e os grandes nos engolem a cada dia, só covardes fazem isso e nós não somos covardes, somos melhores do que isso. Da minha parte (jornalista Samuel Levy), eu digo basta a tudo isso, não vou denegrir a imagem de ninguém com matérias esdrúxulas e maldosas, mais não vou me ater as verdade, doa a quem doer e mesmo que eu fique sozinho eu vou continuar dizendo que não aceito o que está acontecendo. *****Samuel Levy é jornalista em Mato Grosso, proprietário e redator chefe do jornal Correio dos Municipios

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