20 de agosto de 2012

MAIS UM ESCANDALO NO GOVERNO DE MATO GROSSO - ASSESSOR DENÚNCIA ESQUEMA NA AGECOPA

Constrangido, Governo quer ganhar tempo e achar solução
Muitos não entenderam o porquê do "assessor-problema" não ter sido demitido
O governador Silval Barbosa (PMDB) e seu vice Chico Daltro (PSD) ainda não definiram, de modo efetivo, quais estratégias irão adotar para contornar mais um princípio de crise (e forte constragimento) relacionado à implantação do sistema VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em Cuiabá.
Apenas um dia depois do alívio gerado pela decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva em revogar, na quinta-feria (16), a liminar que suspendeu o contrato e as obras do novo modal de transporte público, o site UOL, o maior do país e ligado à Folha de S.Paulo, publicou a reportagem dando conta de supostas maracutaias no processo licitatório do VLT.
A "cereja no bolo" da nova crise foi a declaração de que teria havido pagamento de propina ao governo, na ordem de R$ 80 milhões, pelo grupo vencedor do processo licitatorio, formado pelas empresa Santa Bárbara Engenharia, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda, Astep Engenharia Ltda.
"Muita gente não entendeu, por exemplo, o porquê do assessor (também conhecido como exímio lobista) não ter sido demitido sumariamente" Até o momento, ao que parece, o governo se sentiu acuado, ou preferiu tentar ganhar tempo para dimensionar a gravidade do episódio para, depois, definir qual rumo efetivamente tomar, a partir da próxima segunda-feira (20).
No epicentro da mais nova confusão, uma figura considerada até misteriosa, que atende pelo nome de Rowles Magalhães Pereira da Silva, plantado - não se sabe exatamente por quem, e com quais interesses - como "assessor especial" da vice-governadoria.
Rowles, que atuava no mercado financeiro, teria sido apresentado ao primeiro-escalão do governo por um renomado dono de factoring em Cuiabá, com estreita ligação com o Daltro.
Assim que se sentiu confortável em seu novo círculo, ele intermediou a doação de um estudo sobre o VLT, feito pela estatal portuguesa Ferconsult e bancado pelo Infinity. Desde então, tornou-se figurinha carimbada nos círculos relacionados aos assuntos do VLT. Ele acompanhou com desenvoltura, por exemplo, a comitiva oficial do governo durante a viagem à Portugal, para conhecimento do sistema em funcionamento.
Recentemente, ele acompanhou Daltro a uma viagem a Londres, que objetivou novos contatos com investidores financeiros.
Com a deflagração da crise, na sexta (17), muita gente não entendeu, por exemplo, o porquê do assessor (também conhecido como exímio lobista) não ter sido demitido sumariamente.
Sabe-se, nos bastidores, que Rowles já estaria sendo monitorado há algum tempo, pelo serviço de inteligência do Palácio Paiaguás, pois sobre ele recaíam suspeitas de estar gravando interlocutores os mais diversos. Um dos que teriam sido "grampeados" é o secretário Maurício Guimarães, da Secopa.
"Homem-bomba"
Apesar do constrangimento e das implicações políticas que o governo terá que enfrentar - como ser alvo de mais uma investigação do Ministério Público (o que, por si só, já é um desgaste e um enorme contratempo) e do desgaste perante a opinião pública -, interlocutores disseram à reportagem que Silval Barbosa considera que o caso esteja sob controle.
Nesse sentido, setores do Palácio Paiaguás apostam em uma saída diplomática, em que Rowles (já apelidado de "homem-bomba") se demitiria e, na melhor das hipóteses, viesse a público explicar suas declarações ao UOL e, quem sabe, desdizê-las.
Um fonte disse à reportagem que aposta na possibilidade de o "assessor-problema" ter sido contrariado em seus interesses, optando por blefar e tentar obter vantagens, ao final do processo. Outros, porém, já afirmam que ele saberia muito sobre os porões do Paiaguás, possuindo informações comprometedoras que, dependendo da dinâmica do caso, poderiam vir à tona.
Diante de tantas especulações e dúvidas, uma coisa é certa: o governador Silval Barbosa e seu vice Chico Daltro precisam vir a público, com a máxima urgência, explicar melhor à sociedade por quais razões uma figura "alienígena" como Rowles se entranhou tanto, e tão rapidamente, no principal núcleo do poder de Mato Grosso.

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